Quantos soldados russos morreram na guerra contra a Ucrania

As perdas do exercito russo na guerra contra a Ucrania.
Contagem da Mediazona, atualizada

A Mediazona, em parceria com o serviço russo da BBC e uma equipe de voluntários, vem compilando e mantendo uma lista de nomes dos militares russos mortos. A lista é construída a partir de fontes públicas e verificáveis, como publicações de parentes em redes sociais, notícias na imprensa local e comunicados de autoridades regionais. Evidentemente, essa lista não é exaustiva, uma vez que nem todas as mortes são divulgadas publicamente.

Para traçar um quadro mais completo do verdadeiro custo humano da guerra, desenvolvemos uma estimativa baseada no excesso de mortalidade masculina, empregando dados do Registro de Heranças nacional. Esse método estatístico, criado em colaboração com a Meduza, ajuda a sanar parte das limitações impostas pela dependência exclusiva dos dados de mortes notificadas em fontes abertas.

Em 2025, publicamos a lista nominal completa dos mortos em um site dedicado, 200.zona.media. Está disponível em russo e em inglês.

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Sobre nossos informes

Esta publicação está dividida em duas partes:

  • Resumo quinzenal. Um resumo em texto, atualizado a cada duas semanas, no qual relatamos o que apuramos sobre as perdas recentes e os acontecimentos da linha de frente que resultaram em mortes de soldados russos.

  • Infográficos interativos. A segunda parte traz ilustrações das perdas desde o início da guerra, mostrando, por exemplo, onde os mortos serviam ou quais eram suas regiões de origem. Os dados desses gráficos são atualizados periódicamente, enquanto o texto que os acompanha é renovado, mas permanece em grande parte o mesmo. 

Providenciamos uma descrição detalhada do nosso método de estimativa do total de mortos com base nos dados do Registro de Heranças pode ser encontrada neste link.

Última atualização da lista de nomes: 31 de julho de 2026.

Última atualização da estimativa baseada no Registro de Heranças: 9 de maio de 2026; estimativa até dezembro de 2025.

Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, a Mediazona, em colaboração com o serviço russo da BBC e uma equipe de voluntários, vem rastreando e verificando meticulosamente as baixas militares russas. Este projeto tem como objetivo fornecer um relato transparente e baseado em dados do custo humano do conflito, diante da ausência de informações oficiais e da severa censura militar que levou inúmeros veículos de imprensa, incluindo o nosso, a serem bloqueados e forçados a deixar o país. Apesar de todos os desafios e riscos, consideramos que, como russos e como jornalistas, é nosso dever fornecer à Rússia e ao mundo informações abrangentes sobre o preço desta guerra, que não deveria ter acontecido em primeiro lugar. 

Em nossa abordagem, combinamos múltiplas fontes de dados e métodos analíticos para chegar à estimativa mais precisa possível. Mantemos uma lista detalhada de mortes militares russas confirmadas, compilada a partir de fontes públicas. Nosso padrão é rigoroso: exige uma publicação oficial ou uma postagem em rede social feita por um parente com detalhes correspondentes, fotos ou datas de sepultamentos extraídas de grupos de mensagens locais, ou fotos de cemitérios; nós confrontamos e verificamos cada mensagem, uma por uma. 

Para lidar com as limitações de se depender exclusivamente das mortes divulgadas em fontes públicas, desenvolvemos um método para estimar o excesso de mortalidade entre homens com base nos dados do Registro de Heranças russo. Para validar nossas estimativas, também confrontamos nossos achados com os dados demográficos oficiais da Rosstat, o serviço estatal de estatísticas da Rússia.

No que diz respeito ao exército ucraniano, não presumimos que seja possível operar com o mesmo grau de minúcia que conseguimos aplicar no contexto russo. Por essa razão, buscamos comparar nossos dados com as informações disponíveis sobre baixas ucranianas no UALosses, um banco de dados compilado a partir de fontes abertas. Estimamos que a proporção entre baixas russas e ucranianas (gravemente feridos e mortos em combate) esteja provavelmente ao redor de 1,7:1, em vez da proporção de 5:1 alegada por algumas autoridades ucranianas.

Nós continuamos a refinar nossas metodologias e a atualizar nossos registros e estimativas regularmente.

O que sabemos sobre as perdas

O mapa abaixo mostra a distribuição das baixas pelas regiões da Rússia. São números absolutos e não foram ajustados por população ou por número de unidades militares.

Você pode filtrar o mapa para mostrar o número total de perdas, baixas por ramo das Forças Armadas ou pela região de origem dos soldados reservistas que foram mortos.

Na maioria dos casos, relatórios oficiais ou indícios visuais, como uniformes e insígnias, nos permitem determinar o ramo das Forças Armadas de um soldado, ou de que maneira ele ingressou no exército (soldado reservista, voluntário, prisioneiro, etc.).

O gráfico abaixo compara esses diferentes grupos de militares.

Desde o início do verão (junho) até meados do outono (outubro) de 2022, os voluntários sofreram o grosso das perdas, o que contrasta fortemente com a situação na fase inicial da guerra: durante o inverno (dezembro a fevereiro) e no começo da primavera (março e abril), as Forças Aerotransportadas sofreram os maiores danos, seguidas pelas tropas de Infantaria Motorizada.

Ao final de 2022 e no começo do ano seguinte, as perdas entre prisioneiros recrutados pelo Grupo Wagner aumentaram de forma acentuada. Eles eram organizados em "grupos de assalto" para saturar as posições ucranianas perto de Bakhmut.

Em março de 2023, os prisioneiros se converteram na categoria com maiores perdas da guerra. Após a tomada de Bakhmut, não houve, até o momento, novos casos de uso em massa de prisioneiros.

Em setembro de 2024, os voluntários voltaram a despontar como a categoria com maior número de mortos em combate. Essa mudança reflete um efeito cumulativo: o recrutamento de prisioneiros havia diminuído significativamente, nenhuma nova mobilização fora anunciada e, ainda assim, o fluxo de voluntários continuava ininterrupto.

Até 31 de julho de 2026, a morte de 7.465 oficiais do exército russo e de outras agências de segurança havia sido confirmada.

A proporção de mortes de oficiais em relação ao total de baixas vem caindo de forma constante. Nos estágios iniciais do conflito, quando soldados profissionais contratados formavam a principal força de invasão, os oficiais representavam até 10% das fatalidades. Em novembro de 2024, esse número já havia caído para algo entre 2 e 3% — uma mudança que reflete tanto a evolução das táticas de combate quanto o recrutamento intensivo de infantaria voluntária, que sofre taxas de baixas muito superiores às de seus oficiais comandantes.

A data do óbito consta em 218.400 relatórios. A idade dos falecidos é mencionada em 221.700 relatos. Nos primeiros seis meses da guerra, quando o combate era travado pelo exército regular, a faixa etária de 21 a 23 anos concentrou o maior número de mortes.

Os voluntários e os reservistas são consideravelmente mais velhos: quem vai para a guerra como voluntário tem mais de 30 anos, e os reservistas, em geral, têm mais de 25.

É precisosempre levar emconta que os dadosdos últimosmeses são os maisincompletos e podemvariar significativamente nofuturo.

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